Já imaginou se deparar com versões pin up de heróis da DC e da Marvel? Bom, devo dizer que elas já existem e foram criadas pelo ilustrador norte-americano David Talaski. E, olha, o resultado é simplesmente incrível.

Após compartilhar uma série de ilustrações mostrando como seriam as versões pin up de heróis da DC e da Marvel, Talaski ganhou bastante repercussão principalmente em sua conta no Instagram. Embora não apresentem nudez propriamente dita, mas, sim, um erotismo bastante evidenciado, as ilustrações de Talaski apresentam alguns heróis de quadrinhos como modelos da estética pin up tão famosa nos anos 50. Caso não saiba, as modelos pin-ups eram ilustrações erotizadas de mulheres fictícias.

Sendo assim, ao visitar o perfil do artista nascido na cidade de Portland, no Óregon, é possível se deparar, por exemplo, com personagens como Aquaman (Jason Momoa) e Lanterna Verde, ambos da DC Comics. Além disso, Talaski trouxe ainda as versões de personagens como Homem de Ferro (lavando o carro) e Capitão América (escondendo a nudez com o escudo), além do Doutor Estranho (sofrendo com sua capa) e do Pantera Negra (no vestiário de uma academia), todos pertencentes à Marvel.

Outros também representados foram os irmãos Thor e Loki. O curioso é que o Deus do Trovão aparece vestido com um roupão e com os chinelos do Hulk. Por outro lado, o vilão aparece deitado em uma poltrona enquanto fala ao telefone.

Cinema e Representatividade

Não é porque estamos em 2020 que o cinema esteja cumprindo papel determinante no que tange à representatividade. A verdade é que esse cenário pode ser muito mais positivo e diverso do que tem se mostrado, principalmente porque há ainda uma forte resistência no mundo cinematográfico de modo que, por não se testar novas configurações, os responsáveis pela produção de filmes acabam incorrendo nas mesmas apostas clichês bastante conhecidas: o ‘homem machão’ e a ‘mulher sexy’, por exemplo.

“Sempre houve um excesso de masculinização na arte dos heróis dos quadrinhos […] Eu pensei que essa seria uma maneira divertida de sugerir algo diferente”.

O status quo mostra que o problema não reside no fato de os roteiros possuírem esse tipo de construção de personagem (na verdade, é até necessário para grande parte dos enredos), mas, sim, por eles proporem essa construção de forma cansativamente repetida, sem margens para o novo, resultando, assim, em fórmulas pouco atraentes ao público.

Frente a uma sociedade extremamente sexista e tendo em vista o objetivo de lançar uma luz de protesto sobre esse assunto, o desejo do público tem sido cada vez mais a subversão: que as princesas da Disney, por exemplo, encontrem e beijem outras princesas e não mais um príncipe encantado, como é de costume. A recorrente sexualização feminina e a amostra do corpo objetificado são outros fatores que contribuem de forma escancarada para a repulsa e indignação do consumidor em torno de determinadas formas de se fazer cinema.

David Talaski-Brown é um desses artistas que buscam se manifestar contra esse comportamento marcado e nada estimulador promovido através de alguns trabalhos. Em sua série de ilustrações, ele tem desafiado o público a questionar o padrão presente nas tramas. Dessa forma, as transformações, encaradas como desnecessárias ou mesmo anormais pela sociedade, servem para chamar a atenção de quem se incomoda ou não com essa forma de se produzir filmes e séries, que às vezes se limita a um reproduzir de fórmulas.

“Quadrinhos e filmes de super-heróis eram atividades que eu e meu marido fizemos juntos quando começamos a namorar, para que se tornassem uma parte significativa do nosso relacionamento. Mesmo quando não são bons, são um evento que sempre esperamos ansiosamente. […] Tive a idéia de ilustrar super-heróis masculinos populares no estilo clássico pinup, semelhante a Elvgren e Vargas”.

Segundo David, seu trabalho é ainda uma oportunidade para nerds homossexuais ganharem vez e voz através de artes cuja representatividade é gritante.

“Há muitos de nós. Sempre há uma infinidade de obras de arte representando mulheres com pouca roupa em todos os outros estandes de convenções, então por que não dar o mesmo tratamento a alguns homens? Parece justo, certo? […] O que eu amo no pin-up vintage, e o que eu acho que o torna atraente, é que ele fica na linha entre erótica e comédia. É sexy o suficiente para fazê-lo corar e ridículo o suficiente para não levá-lo a sério”.

Com formação no Art Institute of Portland, David Talaski trabalha com animação em um estúdio de video-games. No Instagram, o artista recebe a admiração de mais de 13,4 mil seguidores, que acompanham o artista em suas aventuras criando versões pin up dos super-heróis. E fica ligado, pois ainda vem muita coisa por aí!

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Up to no good. WIP of my next pinup ??

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Anyone seen my pants? ??? #captainamerica #pinup #gayart

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