Há quem diga que a Ditadura Militar não existiu… Isso é bem comum principalmente em momentos como esse que estamos vivendo hoje no Brasil.

Fato é que a Ditadura Militar vigorou no país entre 1964 e 1985 e um dos principais pontos do Regime foi a censura contra a imprensa e formas de expressões artísticas.

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A repressão atingiu composições de músicos brasileiros, como:

  • Raul Seixas
  • Chico Buarque
  • Caetano Veloso
  • Gilberto Gil
  • Rita Lee

A Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP) era responsável por isso e, como forma de mostrar ao público uma mensagem de protesto, esses artistas utilizavam-se de estratégias como jogos de palavras…

O duplo sentido empregado fazia com que as composições sofressem menos nas mãos dos repressores.

Cálice (Cale-se)

Grande exemplo disso é a música de Chico Buarque e Gilberto Gil.

A sonoridade do título é idêntica a “cale-se”, claramente uma referência ao momento repressor que se estava vivendo na época.

Outro cantor que recorreu ao malabarismo da língua para mostrar a sua indignação contra a Ditadura foi Raul Seixas, que por diversas músicas de sua criação, criticou fortemente esse regime militar.

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1. Dentadura Postiça

Apesar de despretensiosa, Dentadura Postiça é um dos protestos feitos por Seixas durante o Regime Militar.

Lançada em 1973, no LP Krig-Ha, Bandolo!, a música possui um título que faz referência sonora à palavra “ditadura”, além de possuir diversas vezes a frase “vai cair!” logo no início.

Esse protesto quase explícito ainda faz referência ao disco Expresso 2222, lançado no ano anterior por Gilberto Gil, após três anos de exílio.

2. Sapato 36

Lançada em 1977 (O Dia Em Que a Terra Parou), a música Sapato 36, cuja referência seria as leis impostas pelo regime militar, critica o regime autoritário e antidemocrático da época.

“Você só vai ter o respeito que quer, na realidade / no dia em que você souber respeitar a minha vontade”.

A figura do “pai” está associada ao governo brasileiro.

3. Metrô Linha 743

Metrô Linha 743, faixa-título do LP de 1984, cita os “canibais comedores de cabeça”, os quais podem ser interpretados como os censuradores da Ditadura Militar.

Isso fica ainda mais claro em “dois homens fumando juntos pode ser muito arriscado” (não eram permitidas reuniões públicas) e, depois, é questionado sobre “o que estava pensando” (a patrulha ideológica repressiva do governo).

Apesar de o próprio Raul Seixas declarar que esta foi uma escolha aleatória, “743” é frequentemente associado a março de 1974, ano em que ainda vigorava o sistema opressor militar.

4. Eu Sou Eu, Nicuri é o Diabo

Em “Eu Sou Eu, Nicuri é o Diabo”, há um questionamento ao regime militar. Na música, a frase “E que Diabo?” vira “Kid Jango?”.

O interessante é que “kid”, em inglês, tem a mesma sonoridade das letras K e D. Dessa forma, “Kid Jango” se transforma em “KD Jango”, ou seja, “cadê Jango?”.

Essa seria uma referência a João Goulart, que foi um presidente deposto pelo golpe militar de 1964 e que morreria exilado na Argentina em 1976.

Após repetir o questionamento por várias vezes, a letra da uma pista do paradeiro do ex-presidente: “e quem souber disso, que me cante um tango!”.

5. Doce, Doce Amor

Doce, Doce Amor é uma metáfora em referência às liberdades individuais e à democracia.

A associação feita é ao AI-5, o ato institucional assinado em dezembro de 1968 que dava poderes extraordinários ao presidente da República e suspendia várias garantias dos brasileiros.

“Está fazendo uma semana que, sem mais e nem menos, eu perdi você.
Mas não sei determinar ao certo qual foi a razão, meu bem. Vem me dizer”

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