O Black Pantera é uma power banda que surgiu em abril de 2014, na cidade de Uberaba, em Minas Gerais, e que ganhou um destaque recente com “I Cant’t Breathe”, seu mais novo lançamento.

Composta pelos irmões Charles e Chaene da Gama (vocal/guitarra e baixo, respectivamente) e por Rodrigo Pacho (bateria), o Black Pantera já se apresentou nos festivais franceses Download e Afropunkfest (onde esteve junto de bandas como System of a Down e Slayer) e tem se destacado como um dos destaques do rock nacional. Formada por integrantes negros, o Black Pantera tem levado energia por onde quer que passe: Rodrigo e os irmãos Chaene e Charles Gama vêm mostrando que o rock nacional e preto ainda tem voz e vez no cenário da música nacional e internacional, a exemplo do Sepultura.

O nome da banda é uma homenagem ao partido revolucionário Panteras Negras, criado em 1966, nos Estados Unidos, o qual lutava pelos direitos de pessoas pobres e negras. Sendo assim, é praticamente indispensável dizer que a sonoridade do Black Pantera possui uma temática voltada a protestos e representação social em prol da comunidade preta, a fim de denunciar os absurdos raciais. O mais interessante é que a maior referência do grupo é nacional: em sua filosofia, a banda exalta Zumbi dos Palmares e fala da importância de sua luta árdua contra a escravidão.

“Apesar de sermos “livres”, o preconceito ainda existe e o Black Pantera vai contra toda a forma de discriminação. Nossas músicas são truculentas, mas se você prestar atenção na mensagem, estamos em busca de respeito e amor”

No primeiro álbum da banda, intitulado Project Black Pantera, a música Escravos deixa isso em evidência: Salve quilombo, salve Zumbi/A sua luta ainda perdura aqui/Abolição? Mas que abolição?/De norte ao sul ainda há escravidão…

O Black Pantera é uma daquelas bandas que não gostam de se rotular em um determinado gênero musical. O grupo possui influências de vários subgêneros do rock, como thrash metal, punk rock e hardcore.

“Falamos que é crossover, uma mistura de vários estilos como o punk e thrash metal. No momento que estamos compondo, temos muita liberdade, então talvez seja isso que proporcione essa riqueza musical. E, no final, tudo é rock!”

Com músicas cantadas em português, a banda ainda encontra uma certa resistência por parte de quem curte o estilo, principalmente pela descredibilização do rock de uns anos pra cá, no entanto, a qualidade sonora tem sido uma das formas de se contornar isso.

“Nossas músicas são truculentas, mas a mensagem é sobre respeito e amor” – Chaene da Gama

Banda Black Pantera: trio maneiro usa o rock como protesto;  Ouça ‘I Can’t Breathe’, música em protesto contra o assassinato de George Floyd

ÁLBUNS DE ESTÚDIO 

O Black Pantera possui dois álbuns de estúdio. Gravados de forma independente, o ‘Project Black Pantera’ e ‘Agressão’ foram lançados, respectivamente, em 2015 e em 2018. Em relação ao primeiro trabalho, o grupo recebeu críticas positivas não só no Brasil, como também no exterior. Abaixo, é possível conferir os dois primeiros trabalhos do trio mineiro de punk.

“PROJECT BLACK PANTERA”

“Mas que abolição? De norte ao sul ainda há escravidão”Escravos

“AGRESSÃO”

Para alegria dos fãs, o Black Pantera está trabalhando em seu terceiro álbum de estúdio atualmente. Ele será lançado ainda este ano pela gravadora Deck. Viva o rock nacional!

“I Can’t Breath”: música-protesto contra o assassinato de George Floyd

O mais novo lançamento da banda mineira tem dado o que falar e trouxe ainda mais reconhecimento para o trio mineiro de rock. Composta em inglês, I Can’t Breath é uma música criada como protesto em relação ao assassinato de George Floyd, aos 46 anos, asfixiado por um policial branco nos Estados Unidos somente pelo fato de ser negro.

Em meio a onda de protestos em todo o mundo, o Black Pantera também resolveu se compadecer com a causa e produziu a faixa em questão, cantada em inglês, em referência às súplicas de Floyd antes da morte. Ao protestar através da música, o baixista Chaene da Gama ressaltou a importância de combater o intolerável e o racismo na sociedade.

“Sabemos da importância de dar voz àqueles que não conseguem ser ouvidos, além de cantar — mesmo que de modo mais duro — sobre igualdade, respeito e união e contra qualquer preconceito, principalmente o racial”

Filmado sob direção de Leonardo Ramalho e produzido por Ricardo Barbosa, o clipe apresenta uma composição de áudio e visual que ressalta a intolerância racial e inspira o combate ao racismo: Charles está sendo enforcado por uma mão branca enquanto suplica que “não consigue respirar”. Em nota oficial, o baixista Chaene falou:

“Tudo isso veio do impacto do vídeo, assim como de outras coisas que vêm acontecendo não só nos Estados Unidos mas como no mundo inteiro. Aqui no Brasil, inclusive, não é muito diferente”,

Abaixo, é possível conferir o clipe no canal oficial da banda no YouTube e também no Spotify.

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